“As palavras constituem o nervo e o músculo que mantém as sociedades de pé”, argumentou. Veja o Alcorão, a Bíblia, a Constituição Americana, mas também as cartas escritas de pais e filhos, os testamentos, as bênçãos, as maldições. Milhares de palavras, imbuídas do espectro completo de emoções, enchem todos os recantos e esconsos da vida humana. “Algumas dessas palavras só podem ser vistas aqui, em Tombuctu”, afirmou, triunfante”.
Este blogue contém as crónicas publicadas pela autora no semanário angolano «Novo Jornal».
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
A certeza... (crónica publicada no Novo Jornal)
A frase que em 2008 levou Barack Obama à presidência dos Estados Unidos está a servir de mote às manifestações que nas últimas semanas se registam em vários cantos do globo terrestre.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Pontas soltas (crónica publicada no Novo Jornal)
O povo votou e decidiu a libertação do sul do até agora maior país africano. Mas o referendo sobre a independência do sul do Sudão, realizado a 9 e 15 de Janeiro, está envolto num emaranhado de pontas soltas que podem ensombrar a conquista da liberdade prometida para 9 de Julho, data de criação da nova nação africana.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
A canção que se transformou num hino
Há toda uma geração que se revê nesta música dos Deolinda e antes mesmo de o tema "Que parva que eu sou" ser gravado transformou-se num hino.
O Coliseu do Porto foi ao rubro, a cada verso cantado por Ana Bacalhau.
Um hino que encaixa nos jovens portugueses.
E que facilmente se aplica a jovens de outros países, quer seja em Angola, Moçambique, no Magreb ou nos EUA.
Há uma geração que anda à deriva à procura de oportunidade... e um futuro que se compromete enquanto não encontrar um rumo para lhe dar.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
As cartas (crónica publicada no Novo Jornal)
“- Que me trazes aí, pequeno?
- É para o carneiro, pai.
- Qual carneiro?
Como é que não compreendia? O garoto estava quase a chorar, mas conseguiu conter-se e explicou tudo àquele pai embrutecido pela miséria, escravo de uma fatalidade rigorosa e cruel.
- É para o carneiro, pai.
- Qual carneiro?
Como é que não compreendia? O garoto estava quase a chorar, mas conseguiu conter-se e explicou tudo àquele pai embrutecido pela miséria, escravo de uma fatalidade rigorosa e cruel.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Que penúria! (crónica publicada no Novo Jornal)
Dois reclusos de uma prisão da capital portuguesa, considerados perigosos, conseguiram fugir de uma carrinha celular, em pleno dia, quando iam ser ouvidos por um juiz.
O incidente ocorreu no estacionamento do Departamento Central de Investigação e Acção Penal de Lisboa. Quando um dos guardas abriu a porta da carrinha foi atingido na cara com gás pimenta. Dois dos três reclusos, detidos por crimes relacionados com tráfico de drogas, conseguiram escapar. Furtaram um automóvel, dispararam alguns tiros e meteram-se em fuga.
O incidente ocorreu no estacionamento do Departamento Central de Investigação e Acção Penal de Lisboa. Quando um dos guardas abriu a porta da carrinha foi atingido na cara com gás pimenta. Dois dos três reclusos, detidos por crimes relacionados com tráfico de drogas, conseguiram escapar. Furtaram um automóvel, dispararam alguns tiros e meteram-se em fuga.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Discriminação partidária
Um grupo de jovens foi detido pela Notícia Nacional quando tentava entregar folhetos aos deputados a solicitar o adiamento da aprovação da lei que institui o 14 de Abril como o Dia Nacional da Juventude.
Os jovens contestam o facto de a Assembleia Nacional escolher como Dia da Juventude angolana a data em que morreu um herói do MPLA, partido que detém uma representação esmagadoramente maioritária no parlamento angolano.
Os jovens, que representam diversas organizações juvenis da oposição, têm o direito de reclamar por uma data suprapartidária, sem que isso ponha em causa os feitos de Hoji-Ya-Henda.
Travá-los e enclausurá-los, durante algumas horas, numa esquadra de polícia não cala a sua voz, nem apazigua os ânimos de representantes de organizações partidárias juvenis que também querem fazer parte da história do seu país.
Porque também lutaram pela independência de Angola.
Os jovens contestam o facto de a Assembleia Nacional escolher como Dia da Juventude angolana a data em que morreu um herói do MPLA, partido que detém uma representação esmagadoramente maioritária no parlamento angolano.
Os jovens, que representam diversas organizações juvenis da oposição, têm o direito de reclamar por uma data suprapartidária, sem que isso ponha em causa os feitos de Hoji-Ya-Henda.
Travá-los e enclausurá-los, durante algumas horas, numa esquadra de polícia não cala a sua voz, nem apazigua os ânimos de representantes de organizações partidárias juvenis que também querem fazer parte da história do seu país.
Porque também lutaram pela independência de Angola.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Poema cantado
Nha mudjer
Mario Lucio Sousa
Vídeo do Myspace
Mário Lúcio começou bem o ano de 2011.
O último disco do músico caboverdiano, «Kreol» está em quinto lugar na tabela de melhor disco do mundo da World Music Workshop das rádios da União Europeia.
O CD está há dois meses no Top 15 e no mês de Janeiro subiu sete posições, estando à frente de trabalhos como «Cesária & …», que ocupa o 15º lugar.
A crítica destaca a concepção de Mário Lúcio sobre a ideia do crioulo e louva o músico, que se lançou a solo com o disco «Mar e Luz» depois de uma carreira de destaque com os Simentera, por ter incorporado habilmente entre os seus convidados Harry Belafonte e a também caboverdiana Cesária Évora.
Do seu primeiro álbum, destaco outro dueto (de que fica aqui um excerto). «Nha mudjer» junta as vozes de Mário Lúcio e do brasileiro Gilberto Gil num tema que é, todo ele, um poema.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Haja saúde (crónica publicada no Novo Jornal)
A revolução cubana trouxe uma das mais bem sucedidas reformas da saúde que o mundo conhece e deu ao regime dos irmãos Castro uma das mais bem sucedidas armas de política externa.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Porque há quem merece
Foto: Ampe Rogério, Novo Jornal
Há uma professora na Escola Portuguesa de Luanda que há muito merece uma distinção do governo português pelo muito que fez, e faz, pela língua.
Cremilda de Lima não é uma professora qualquer.
Esta angolana, formada na primeira escola do Magistério Primário que abriu em Angola, no Bié, simboliza aquilo que deve ser um professor. Alguém que não se conforma, que faz da adversidade oportunidade, e que encara o ensino como uma missão, que cumpre com empenho e prazer.
Nos anos 80, confrontada com a falta de livros em Angola, por causa da guerra no país, Cremilda de Lima começou a escrever pequenas histórias, consciente de que a melhor forma de ensinar os alunos era com o recurso às narrativas.
As suas histórias começaram a correr mão e daí à publicação foi um passo. No dia 31 de Dezembro de 2010, a autora lançou mais um livro, «A viagem do pai Natal», que conta a história de uma menina, Olguinha, que ganhou uma boneca como prenda.
Muitos outros livros incentivam as crianças a ler e transmitem valores universais, sem esquecer as tradições e vivências angolanas.
Com tantas comendas que se atribuem no 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades - não fica mal ao governo português olhar para sul.
Mais do que um prémio, é um acto de justiça para quem serve, tão bem, a língua portuguesa.
Só rir (crónica publicada no Novo Jornal)
Um estudo desenvolvido pela Universidade de Navarra, Espanha, concluiu que com 15 minutos de riso por dia se ganham quatro anos e meio de vida.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Pelo pão... (crónica publicada no Novo Jornal)
Um electricista romeno do canal de televisão estatal atirou-se, na antevéspera do Natal, das galerias do Parlamento em Bucareste para protestar contra as medidas de austeridade do governo.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Mais ou menos? (crónica publicada no Novo Jornal)
No norte, aposta-se em mostrar tudo.
No sul, encobre-se cada vez mais e só se mostra o que interessa.
São as surpresas de Natal que nos reservam dois países das imensas Américas.
No sul, encobre-se cada vez mais e só se mostra o que interessa.
São as surpresas de Natal que nos reservam dois países das imensas Américas.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
A caminho (crónica publicada no Novo Jornal)
A Europa está em ebulição e nas vésperas de uma cimeira de chefes de Estado e de Governo, em Bruxelas, que marca o fim da presidência belga da União Europeia, os cidadãos do continente deram uma vez mais mostras de que não estão dispostos a pagar pelos erros dos políticos que os governam.
sábado, 11 de dezembro de 2010
A verdade (II) (crónica publicada no Novo Jornal)
Na década de 80 do século passado, a jornalista e escritora Meredith Maran foi incumbida de editar o livro de uma investigadora sobre crimes de incesto e abuso sexual infantil e nos anos seguintes escreveu compulsivamente sobre o assunto, em jornais e revistas.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
O primeiro correspondente internacional em África
Um grupo de jornalistas polacos chega dia 9 de Dezembro a Luanda para dar início, no interior de Angola, à primeira etapa de uma viagem de homenagem a Kazimierz Nowak, um "bravo polaco" que, em 1931, se aventurou pelo continente africano na companhia da sua bicicleta.
Durante cinco anos, Nowak registou e relatou o quotidiano dos africanos nos despachos que enviou para a sua Polónia natal, como relata Mirolaslaw Wlekly, nesta reportagem publicada na última edição do Novo Jornal.
As fotografias que ilustram a peça são do arquivo pessoal da família de Kazimierz Nowak e mostram como o jornalista enfrentou os perigos que o desconhecido lhe foi colocando no caminho, quer a conviver com tribos canibais, quer a despistar animais selvagens ou a atravessar as areias do deserto do Sahara na companhia, apenas da sua bicicleta, duas máquinas fotográficas, uma "espingarda de cano duplo, uma centena de cartuchos, uma pistola automática, um cobertor, rede entomológica, uma tenda, postes, um machado, pneus de reserva, raios para as rodas, colas e adesivos, o gancho da agulha, linha, um quarto de quilo de quinino, aspirina e um pouco de óleo de ricino, duas mudas de roupa, e como stock total de alimentos por quilo de açúcar, 250 gramas de chá, um pouco de petróleo e um saco de farinha".
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
A verdade (I) (crónica publicada no Novo Jornal)
O mundo está de pernas para o ar, desde que o site WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos diplomáticos norte-americanos.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Vida difícil das zungueiras

Uma zungueira que vendia junto ao mercado de S. Paulo, em Luanda, foi há uma semana baleada por um agente da Polícia Nacional.
As colegas - mulheres que todos os dias palmilham dezenas de quilómetros para sustentar os filhos, maridos e outros mais que dependem delas - afirmam que Domingas Gomes, de 25 anos, foi atingida mortalmente a tiro, depois de um agente lhe desferir golpes na cabeça com um pau.
A Polícia Nacional diz que não. Que a zungueira “não corre perigo de vida”. O “tiro foi no pé”.
Entre o que uns e outros dizem não há margem para fugir a uma triste realidade.
A polícia e os fiscais gostam de "dar corrida nas zungueiras".
É vê-los a perseguir as mulheres com a bacia à cabeça e, muitas vezes, filhos às costas.
É vê-los a levarem o produto do seu sustento, depois de confiscado à má-fé e para, na maior parte dos casos, usufruto próprio.
É vê-los de bastão no ar e pistola em riste atrás de mulheres indefesas.
Na memória dos luandenses ainda está fresca a morte, por atropelamento, de uma zungueira e do filho que carregava quando fugia de um polícia no S. Paulo.
As zungueiras fazem parte da paisagem angolana.
Por elas passa grande parte da vida económica do país.
Num país com postos de trabalho em número insuficiente, as mulheres criam, graças à zunga, gerações de filhos.
Alimentam e dão instrução a milhões de bocas.
Pelas bacias que carregam passa a vida de muitas pessoas.
Não há angolano - homem do povo, polícia ou ministro - que não tenha o ADN de uma zungueira.
Sangue de zungueira a correr-lhe pelas veias.
Suor de zungueira a escorrer-lhe pela tez.
Por isso, como escreveu a jornalista Susana Mendes, disparar contra elas é atirar contra o povo.
Mas é mais fácil, observa.
Bem mais fácil do que andar atrás dos “bandidos”.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Meninas-mulher (crónica publicada no Novo Jornal)
O Presidente do Irão introduziu uma nova questão na sua agenda política. Mahmoud Ahmadinejad quer que os iranianos casem mais cedo e propôs a antecipação da idade mínima dos matrimónios para os 16 anos, no caso das mulheres, e para os 19, no caso dos homens.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Conjugar mal... (crónica publicada no Novo Jornal)
Centenas de lisboetas concentraram-se, há uma semana, nas várias ruas circundantes ao Saldanha para se despedir do «Senhor do Adeus». Durante mais de duas horas, imitaram o gesto que tornou João Paulo Pereira conhecido.
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