segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A voz de Portugal (crónica publicada no Novo Jornal)

A escritora Maria Teresa Horta recusou receber das mãos do primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, o prémio D. Dinis que lhe foi atribuído pelo seu romance «As Luzes de Leonor.
A cerimónia de entrega do prémio estava marcada para hoje, sexta-feira, mas acabou por ser anulada, após a autora ter informado a Fundação Casa de Mateus da sua decisão, tomada dias depois de manifestações que juntaram em várias cidades do país mais de um milhão de portugueses.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sayovo d'Ouro





Em 2004, José Sayovo foi recebido em apoteose, em Luanda, depois de conquistar três medalhas de ouro, nos Jogos Paralímpicos de Atenas, na Grécia.
Quatro anos, depois o atleta invisual voltou a ser medalhado, nos Paralímpicos de Pequim.
Sayovo melhorou o seu próprio recorde na competição e trouxe três medalhas da capital chinesa. Mas, por ser prateado o feito não mereceu parangonas. E o regresso a casa não foi festejado como o atleta merecia.
Na semana passada, José Sayovo voltou à ribalta com a sua passagem por Londres.
Nos Jogos Paralímpicos de 2012, o velocista conquistou novamente o ouro e, mais uma vez, Luanda ergueu-se para receber em festa o atleta angolano com o melhor palmarés de sempre.
O próprio governo, através do ministro da Juventude e Desportos, manifestou o seu reconhecimento pelos feitos do velocista, que conta com mais de 40 medalhas, desde que se lançou nas competições aos 14 anos.
O ministro Gonçalves Muandumba entregou um cheque de dois milhões de kwanzas a Sayovo e prometeu continuar a apoiá-lo para que ele continue a proporcionar alegria aos angolanos.
Desde a sua primeira medalha olímpica, José Sayovo não mudou na sua determinação para elevar bem alto a bandeira angolana.
Já a reacção dos adeptos vai mudando ao sabor das medalhas...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A mentira (crónica publicada no Novo Jornal)

 
 
 
Foto. Reuters


Na manhã do dia 11 de Setembro de 2001, muitos dos que ficaram encurralados nas Torres Gémeas, no World Trade Center de Nova Iorque, ligaram para a família. Alguns não conseguiram falar e a sua voz foi parar a gravadores de mensagens. Uns comunicaram que um avião tinha embatido numa das torres, mas que estavam bem; outros ligaram apenas para dizer “amo-te”; e houve ainda os que testemunharam, em directo, os momentos derradeiros do inferno de chamas.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A utopia em Marinaleda (crónica publicada no Novo Jornal)

Em plena crise europeia, há uma cidade no sul de Espanha que vive em comuna há mais de 30 anos, com um sucesso assinalável. E que nas últimas semanas saltou para as páginas dos jornais, por causa da iniciativa do seu líder, um Robin dos Bosques moderno, misto de Che Guevara e Lula da Silva.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Em nome de Veronica (crónica publicada no Novo Jornal)

“Não tenhas medo”. A frase no memorial de Veronica Guerin resume o que foi a vida da jornalista que, em 1996, morreu às mãos dos barões da droga na Irlanda.
Veronica foi assassinada com seis tiros, na estrada de Naas, nos arredores de Dublin, por dois jovens que a seguiam de mota. A repórter, que em Dezembro de 1995 ganhou o Prémio Internacional da Liberdade de Imprensa do Comité para a Protecção de Jornalistas, falava ao telemóvel com um colega do «Sunday Independent». Naquele instante ficou claro para a redacção do jornal o desfecho fatal, que todos antecipavam.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Em nome do filho (crónica publicada no Novo Jornal)

Em 2006, o Presidente Mexicano, Felipe Calderón, declarou guerra ao narcotráfico, mas a ofensiva contra os cartéis está a produzir mais baixas “civis” e de inocentes do que a contribuir para desmantelar o negócio, lucrativo, do abastecimento do mercado norte-americano, donde provêm as armas que equipam os grupos narcotraficantes mexicanos.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Perigosa amnésia (crónica publicada no Novo Jornal)

A crise que se abateu sobre a Europa está a fazer eclodir sentimentos xenófobos um pouco por toda a parte. Em Espanha, o governo prepara-se para adoptar medidas que penalizam os imigrantes; na Grécia a polícia intensificou a caça aos ilegais e, no Reino Unido, o sistema judicial agravou as penas contra estrangeiros, em crimes de pequena monta.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Nos bastidores dos JO (crónica publicada no Novo Jornal)

Os Jogos Olímpicos de Londres têm-se revelado as olimpíadas das redes sociais e dos casos. Os acontecimentos insólitos sucedem-se e são difundidos pelos media de todo o mundo, ou quase todo – nos EUA nem tudo chega e, por vezes, chega tarde - e as redes sociais têm servido de plataforma de gaffes, mas também como meio de comunicação entre atletas e adeptos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Joker (crónica publicada no Novo Jornal)

A 20 de Abril de 1999, dois estudantes irrompem no liceu de Columbine, no Colorado, fortemente armados, matam 13 colegas e professores, ferem outros 25 e suicidam-se. Treze anos depois, um jovem, igualmente artilhado, rompe por uma sala de cinema de Aurora, também no Colorado, dispara sobre a plateia que assiste ao filme de Batman, matando 12 pessoas e ferindo 58.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Reportagem premiada «Descida ao inferno»












 
Foi esta a reportagem que deu à Isabel João o prémio CNN/Multichoice, na categoria de Notícias Gerais em Língua Portuguesa, entregue no dia 21 de Julho, em Lusaka, Zâmbia.
Pode ler o texto integral, carregando em ler mais.


terça-feira, 24 de julho de 2012

Prémio CNN para a Isabel João



O Novo Jornal ganhou mais um prémio CNN/Multichoice, jornalista Africano do Ano, na categoria de notícias gerais em língua portuguesa. Ou melhor, a Isabel João, ganhou mais um prémio para o Novo Jornal. O primeiro foi o Sebastião Vemba, em 2010, o terceiro jornalista a trazer o prémio, naquela categoria, para Angola . Este ano, a Isabel João repetiu o feito com uma excelente reportagem, que faz parte de um dossier sobre a vida nas cadeias, a que deu o título genérico «Descida ao inferno».

Quando a Isabel João partilhou comigo que a organização do prémio lhe ligou a anunciar que o seu nome estava entre os 34 finalistas em representação de 12 países (num total de 1799 trabalhos de 42 nações submetidos a concurso), disse-lhe que ia vencer na categoria à qual tinha concorrido. E disse-o não porque a quisesse animar, mas porque tinha e tenho a certeza de estar perante uma reportagem excepcional, num tema particularmente difícil e cuja abordagem implicou da parte dela um esforço como jornalista, mas também como ser humano, o que de resto foi reconhecido pelo júri
(http://edition.cnn.com/video/#/video/international/2012/07/19/african-journalist-awards-portugese-10.cnn).


A forma como a Isabel João abordou um assunto já de si difícil (a vida nas cadeias angolanas, nalguns casos em condições desumanas) define-a como jornalista. Desde que integra a redacção do Novo Jornal, ela tem manifestado uma propensão e interesse por atacar temas difíceis, não se ficando pelo óbvio, nem por aquilo que geralmente os outros jornalistas abordam. A Isabel está sempre à procura de novos desafios, quer infiltrando-se, quer lançando-se para terrenos difíceis, expondo-se a riscos, de forma calculada, para dar ao leitor o outro lado da história.

O primeiro sinal desse arrojo deu-o quando decidiu passar-se por detida, submetendo-se às quatro paredes de uma cela, durante largas horas, para ganhar a confiança das outras reclusas e, assim, poder testemunhar a vida dentro da cadeia. Para esta reportagem, publicada em 2009, a Isabel teve de enfrentar a sua angústia, vencer o medo do desconhecido e debater-se com a agressividade da mulher com quem co-protagonizou a reportagem, contada na primeira pessoa (um registo de excepção no jornalismo) porque não era possível fazê-lo de outra maneira. A reportagem tratava da vida dos outros em, cisrcunstâncias adversas, mas também dos seus sentimentos perante aquilo que testemunhou. Esta forma de se dar ao jornalismo é rara e é isso que a torna uma jornalista de excepção.

Parabéns para a Isabel João e para o colectivo do Novo Jornal que sente o prémio também como seu.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Exemplos transformadores (crónica publicada no Novo Jornal)

Uma juíza do Tribunal de Justiça do estado de Ceará evitou a deportação de vários estudantes guineenses em situação irregular, invocando a “solidariedade e a cooperação internacional” entre os povos da Guiné-Bissau e do Brasil.

terça-feira, 26 de junho de 2012

A nu (crónica publicada no Novo Jornal)

Um estudo publicado esta sexta-feira na revista «New Journal of Physics» revela um modelo matemático, desenvolvido por um grupo de investigadores japoneses, capaz de prever os filmes que serão êxitos de bilheteira.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Caça às bruxas (crónica publicada no Novo Jornal)

Meryl Streep, a recordista de nomeações para os Óscares, protagonizou, em 1988, um filme que marcou a sua consagração internacional pela forma sublime como a actriz norte-americana encarnou o drama de uma mulher que perde um filho e ainda tem de enfrentar uma farsa judicial montada por uma opinião pública eivada de preconceitos.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Olhar para trás (crónica publicada no Novo Jornal)









Uma adolescente nos Estados Unidos tornou-se uma heroína, após ter finalizado em último lugar uma competição do ensino médio.
Meghan Vogel, de 17 anos, foi a primeira a cruzar a meta na corrida de 3.200 metros, que se disputava em Columbus, Ohio, mas ao olhar para trás apercebeu-se que uma das adversárias caíra e estava com dificuldade em finalizar a prova.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Ai lagarto! (crónica publicada no Novo Jornal)

Investigadores da primeira organização de conservação da natureza criada no mundo, a Fauna & Flora International, descobriram uma nova espécie de lagarto, nas montanhas do Cambodja. “Pensava que se tratava de um animal comum. Mas ao verificar, percebo que era algo novo”, revelou o herpetólogo Neang Thy, responsável pela expedição na região da Cardamomo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

A cotação do Presidente (crónica publicada no Novo Jornal)

Um quadro de Jacob Zuma com os órgãos genitais à mostra, que integra uma exposição inaugurada em Joanesburgo, no dia 10 de Maio, está a criar alvoroço na África do Sul, com o Congresso Nacional Africano (ANC) à proa dos protestos. O pintor sul-africano Brett Murray inspirou-se num poster do russo Viktor Ivanov, datado de 1969, que faz parte da iconografia soviética, para reencarnar a figura de Lenine com a representação do Presidente da África do Sul.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Bando de malfeitores (crónica publicada no Novo Jornal)

Rebekah Brooks, ex-presidente executiva da News International, vai ser acusada, juntamente com o marido, por obstrução à justiça em relação ao escândalo das escutas, que levou ao encerramento do semanário de domingo britânico «News of the World», o primeiro grande jornal do império mediático de Rupert Murdoch.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Democracia, pois!

A grande derrotada nas eleições em França e na Grécia foi a Alemanha. Melhor. Foi Angela Merkel e o eixo que a chanceler traçou com o Presidente francês cessante, Nicolas Sarkozy, para “governarem” sozinhos uma Europa em crise. Um eixo franco-alemão, que levou o Euro para a beira do precipício e que fica comprometido com a queda do co-protagonista Sarkozy, deixando a Presidente Alemã a falar sozinha.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Fome (crónica publicada no Novo Jornal)

“Com efeito, todas as manhãs vinham à cozinha da criadagem, em minha casa, camponeses cheios de fome que se punham a mendigar de joelhos por um pedaço de pão. E, numa das últimas noites, tinham deitado uma parede do meu celeiro e roubado de lá vinte sacas de trigo (…) A revolta alastra entre eles (…) Os famintos revoltam-se contra os que têm de comer … E estes irritam-se com os famintos… Sim… Não é este o momento para nos zangarmos, mas para sermos indulgentes. A fome é má conselheira, enlouquece os homens, torna-os ferozes, selvagens (…) Um faminto torna-se insolente e rouba; e até pode vir a fazer coisas piores… é necessário que isso se compreenda”. («A minha mulher», de Anton Tchekhov).