terça-feira, 31 de março de 2015

Cansado (UHF)... Andamos todos cansados!



Porque será que esta música não passou nas rádios?
Eu, pelo menos, não a ouvi.
Vernáculo é mais do que um poema.
É um texto político;
colado à realidade.

Para ler o poema clicar em Ler mais

quarta-feira, 4 de março de 2015

Distracções (crónica publicada no Novo Jornal*)


Permanecer sentado, durante algum tempo, sem nada fazer, não é uma perda de tempo, como nos habituámos a ouvir da boca das nossas mães, sempre que afundávamos o corpo no sofá. É precisamente o contrário, segundo o vice-presidente da Associação Espanhola de Psiquiatria Privada.
José António López Rodríguez prescreve mesmo o hábito de sentar no sofá como uma receita para eliminar o stress e a fadiga. Essa pausa, aliada ao conforto, fomenta a criatividade e aumenta os níveis de produtividade, defende o psiquiatra, argumentando que não fazer nada é uma “válvula de escape” que facilita a entrada no nosso interior, deixando a nossa mente livre para sonhar acordada e dar asas à imaginação.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Regresso do Império? (crónica publicada no Novo Jornal)

“Depois da reunificação alemã, diz-se, algumas pessoas nos países vizinhos ficaram à espera de ouvir o som dos exércitos marchando. Teria sido melhor se tivessem prestado atenção ao suave som de quem anda em bicos de pés”. Com esta frase retirada do manual de «Estudos Europeus», da Universidade Aberta, Maria Laura Bettencourt Pires resume aquilo que é o projecto alemão de conquista da Europa.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O perigo de informar (crónica publicada no Novo Jornal*)


A liberdade de imprensa sofreu um “declínio drástico” em 2014, como revela o relatório anual da organização Repórteres sem Fronteiras.
No Índice da Liberdade de Imprensa de 2015, a organização liderada por Christophe Deloire identifica um total de 3.719 violações à liberdade de informação em 180 países, mais 8% de casos do que em 2013, 66 jornalistas mortos e um número recorde de 40 sequestros.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Pobres!!! (crónica publicada no Novo Jornal*)

                                                             Os pobres alimentam os ricos, pracadobocage.worldpress.com

Depois de ter aprovado, em Julho, uma lei que dá aos municípios poder para proibirem a mendicidade a nível local, o governo norueguês ficou sozinho na decisão de alargar a proibição ao território nacional.
A medida não se limitava a punir a “mendicidade organizada”. Alargava as sanções, com até um ano de prisão, a quem ajudasse os sem-abrigo. Mas a intenção do governo de Erna Solberg não foi bem recebida. Causou indignação e a reprovação geral dos noruegueses que aproveitaram as redes sociais para fazer eco da sua revolta, o que levou o Partido Centrista a recuar e a retirar o seu apoio.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Fanatismos (crónica publicada no Novo Jornal*)


Em 1616, o Papa Urbano VIII recebeu Galileu Galilei e ofereceu-lhe honrarias, dinheiro e recomendações para que o físico e matemático italiano aprofundasse os estudos sobre a teoria heliocêntrica, desenvolvida um século antes por Copérnico, na expectativa de a contrariar, repondo, assim a teoria teocêntrica ou geocêntrica no seu devido lugar.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Caricaturas (crónica publicada no Novo Jornal*)

                                                             Execuções públicas de mulheres em Raqqa, na Síria

Em 2014, Haruna Yukawa viveu um ano trágico. No espaço de poucos meses, a mulher morreu de cancro e ele ficou falido. Tentou o suicídio, mas como não foi bem-sucedido resolveu ir para a Síria. Talvez encontrasse no meio do caos um sentido para a sua vida.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O mito económico (crónica publicada no Novo Jornal*)

                              Eike protagonizou a ascensão e a queda mais meteórica do Brasil (foto Veja Brasil)

A queda de Eike Baptista, que em 2012 foi considerado por Dilma Rousseff um exemplo para o Brasil, causou em 2013 um vendaval nas bolsas e um rombo nos bancos brasileiros, estimado agora em 2,9 mil milhões de dólares.
Há pouco mais de um ano, os brasileiros desdobravam-se a tentar responder à pergunta ‘como foi possível?’ Hoje, a questão que se coloca é quanto tempo o sistema brasileiro necessita para recuperar do rombo?

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O Charlie vive (crónica publicada no Novo Jornal*)


A liberdade não tem preço. Nem é um produto passível de transação. Ela é resultado de anos e anos de conquistas. Séculos de progresso material e de desenvolvimento do espírito humano. Um bem da Humanidade posta ao seu serviço, que não pode recuar, mesmo perante os canos de uma metralhadora.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Ano horribilis (crónica publicada no Novo Jornal*)

Ao olhar para o ano que termina há poucos motivos para sorrir. 2014 foi um ano horribilis, de norte a sul do planeta. Os que procuram razões no acaso contribuem para prolongar a má sorte. Os que acreditam que os fenómenos são consequência dos actos e decisões que tomamos têm, no balanço do ano, uma boa oportunidade para começar a traçar um novo plano.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Um dia da História (crónica publicada no Novo Jornal*)


“Lucía tem razões para chorar; minha mãe, para dar graças ao pobre e leproso São Lázaro; eu e muitos cubanos em nos sentirmos aturdidos, mas felizes por estarmos despertos. Esta é a realidade: Cuba e EUA anunciam que restabelecerão relações. Um dia para ficar na história. Uma porta que se abre para um futuro que, necessariamente, terá que ser melhor. Com todos e para o bem de todos, como disse certa vez José Martí”.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A verdade (crónica publicada no Novo Jornal*)

 

O que apresenta de verdadeiramente novo o relatório do Senado norte-americano sobre o programa de interrogatórios da CIA a suspeitos de terrorismo? Nada.
Não há nada de novo a não ser o facto de, pela primeira vez, um documento oficial reconhecer que a CIA praticou actos de tortura durante interrogatórios, o que, à partida, inquina os resultados dessas diligências, como é do senso comum e da literatura científica e policial.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A desconfiança e o abraço (crónica publicada no Novo Jornal*)


A Alemanha homenageou quarta-feira a jovem turca que morreu, depois de defender duas adolescentes que estavam a ser assediadas por um grupo de três homens na casa de banho de um restaurante em Offenbach, a poucos quilómetros de Frankfurt.
O funeral de Tugce Albayrak, que esteve duas semanas em coma, emocionou a Alemanha e desencadeou uma onda de comoção. A sua morte tornou-se um símbolo contra a indiferença. Ao contrário de outras pessoas que se encontravam no restaurante e que ignoraram os gritos, a jovem universitária foi em socorro das adolescentes e impediu que o assédio se transformasse em agressão.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Demónios (crónica publicada no Novo Jornal*)

                                                             Tamis Rice com uma pistola de brincar, pouco antes de ser morto

Tamis Rice tinha 12 anos. No sábado, foi ao parque como tantas vezes fizera. Oito minutos depois tombou, atingido por dois tiros disparados por um polícia.
As imagens de uma câmara de videovigilância mostram a forma precipitada como a polícia reagiu, depois de ser chamada. Soube-se mais tarde, pela gravação divulgada pela polícia de Cleveland, que a pessoa que telefonou advertiu que a arma provavelmente era de brincar. Mas a actuação policial ignorou completamente a advertência, porque a central não informou os dois agentes desse pormenor. Tão pouco alertou que se tratava de um menor.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A linha (crónica publicada no Novo Jornal*)


A lista de crimes cometidos na Coreia do Norte é longa e impressiona. O desfile de atrocidades há muito que se projecta para além da cortina cinzenta erguida pelo regime. Mas avança impunemente. Até agora. As Nações Unidas aprovaram finalmente uma resolução que condena o país por crimes contra a Humanidade. E que visa levar o regime de Kim Jong-un a sentar-se no Tribunal Penal Internacional.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A erosão (crónica publicada no Novo Jornal*)

                                                              Milhares de pessoas são vigiadas sem o seu conhecimento

Primeiro foi o vice-primeiro-ministro turco. Bulent Arinc aconselhou as mulheres do seu país a “conservarem a rectidão moral” e a não “rirem alto em público”. A declaração causou polémica e desencadeou uma reacção espontânea. Uma chuva de vídeos e fotos de mulheres a darem sonoras gargalhadas inundou as redes sociais. Três meses depois, no país de Recep Erdogan, que entretanto passou de primeiro-ministro a Presidente, os manuais escolares de Biologia do sexto ano deixaram de ter pénis e vaginas. As imagens do anterior manual, no capítulo dedicado ao aparelho reprodutor, foram substituídas por patinhos e ursos polares. As palavras “mama” ou “virgindade” também foram suprimidas, sum sinal claro da recente islamização do país. Numa altura de crescente preocupação pelo fundamentalismo religioso, a Turquia vai na direcção certa do regresso ao obscurantismo, a caminho das trevas.